quarta-feira, 3 de abril de 2013

Redenção do Capricórnio

Deusa de Capricórnio. Swarovski
para a Vogue alemã, 2012.

Meu corpo é berço
Que se sonha e que se chora
Que se reza e que se implora
Por redenção...
Capricórnio meu!
Vestido de fantasia, cocar e corifeus
Bebe desse cálice que também é teu
o pecado da infâmia
Bebe e santifica
o teu corpo inglório
Minha lírica é água benta                                                           
Que não se funde nem se funda
na cólera ou nos óleos da traição
Então,
Deita no meu colo qual criança
Os meus braços
serão tua casa de campana
te embalando em melodias e cirandas
Vem, deita no meu seio, esquece  do passado
Sei que é caro por demais esse teu fardo
que teu corpo de mortal já não agüenta
Ajoelha frente a mim, se confesse e se renda
Só minha cruz é remendo que se cura
a tua carne corte em fogo corrompida
Vem, se conjura, se ajoelha e se atira
Se desnuda que é benta a minha lírica
Só lambendo é que se curam as feridas...

Luana Costa. Rio de Janeiro, 2012.
Escrito com caneta bico de pena e nanquim azul ultra-mar.

De Libra ao Egito


Deusa de Libra. Swarovsky para a Vogue alemã, 2012.
Do matrimônio ao meretrício
Do início ao precipício
Da verdade ao artifício
- Faz-me tua -
Do Arábico deserto
 Faz-me Duna
Faz-me louva-me e me leva
Leve sobre o dromedário
O meu corpo carne em pedras
pena e ouro
Adornado com a mitra
e turquesas
Com o estatuário
de Ísis sobre os braços
E com o sol da realeza coroada
Do altar ao sacrifício
Da entranha ao interstício
Do desejo a todo vício
Faz-me Runa
A Ruína que se sagra sobre a mesa
Terra Negra flor do Líbio a Vermelha
No Arábico deserto um morticínio
Amarrada ao dromedário toda nua
Príncipe Egípcio
Faz-me tua.

Luana Costa. Cuiabá, 2012.